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"Janaina, filha de Iemanjá, é oito ou oitenta
e os outros 71 quase nunca interessam. Ela é apenas mais uma entre tantas, mas ninguém no mundo é exatamente como ela."
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![]() Talvez eu fique encalhada. Verdade. Não que eu queira. Ninguém quer alguém dizendo aquelas coisas meigas de que você vai ficar pra titia. Mas como já sou mãe, esse risco não corro. Mas tenho sim uma enorme probabilidade de ficar sozinha porque simplesmente me falta saco. É isso, me falta paciência pra investir em alguém. Pra conhecer, me interessar, querer saber da vida, conhecer as qualidades, descobrir os defeitos. Não tenho mais paciência pra tudo isso. Eu sei, é triste. Chega ser irritante eu aqui dizendo que aos 28 anos não tenho um pingo de boa vontade pra querer me envolver com alguém. Não sou uma insana de achar que um dia eu não possa acordar, descer pra comprar pão, e me apaixonar. Isso pode acontecer, a probabilidade é expressamente remota, mas vá lá, pode acontecer. O que seria de péssimo gosto do destino, pois geralmente vou à padaria de pijama, visto que são sempre as mesmas caras e a tal hipótese surreal ai nem me passa pela cabeça. Claro que também isso pode ser apenas uma fase, sei lá aquelas coisas de introspecção, de ostracismo, de autoconhecimento, daquele blá blá blá todo que a gente ouve falar em livros de auto-ajuda e ouve da boca de gente eternamente positiva, daquelas que vivem dizendo que vai passar, só depende de você. Antes eu queria e tinha paciência. Hoje eu quero, mas não me resta um pingo da segunda pra esses assuntos. Ninguém me parece interessante o suficiente, ninguém me causa aquela sensação de que pode valer a pena. Minhas “paixões”, meus arrombos, meus entusiasmos são meio fogo de palha. Tem os que duram uns dias, os de uma semana, os de alguns meses, depois disso apaga, passa, acaba e fica o cheiro de queimado. Sei que é meio complicado de entender que alguém queira, mas se diga sem saco para investir, seu tempo, sua boa vontade e todo resto nisso. Até porque se você quer, você tem que no mínimo movimentar energia pra isso. Até eu acho completamente surreal. Mas fazer o que? É essa a realidade. Vou fazer o que??? Eu não fico trancada em casa lamentando. Eu saio pra rua, eu vou a parques, teatros, cinemas, até no museu eu estive há pouco tempo. Ta certo que anda me faltando vontade pra enfrentar a noite e seus tipos, mas na noite, a gente nunca conhece muita gente que valha a pena mesmo. Não ultimamente. O fato é que eu já considero a hipótese de não ter a outra metade, nem um quarto dela... Se eu for passar o resto da minha vida sozinha prometo que não ficarei reclamona e ranzinza. Pretendo ter um enfermeiro/acompanhante moreno alto... Ainda vai me restar o humor. Se toda panela tem a sua tampa... Sei lá, quem sabe eu seja uma frigideira. |