quinta-feira, setembro 28, 2006

Dizem que a dor passa

E eu, com muito esforço, até consigo acreditar nisso... Mas eu queria mesmo saber é quando passa? Quando para de doer, quando os meus pensamentos vão parar de fugir de mim e vão parar de ficar divagando, imaginando, quando vou parar de ficar me torturando com isso...

Queria mesmo saber, quando o chão volta pra baixo dos meus pés, quando redescubro o caminho, quando vou voltar a me achar... Quando os meus sonhos desmoronados, voltar a virar novos sonhos... Quando essa dor que me oprime o peito e me faz sentir pequena, me faz sentir inerte, me diminui... Quando ela vai embora?

Queria saber onde foi parar meu orgulho, onde foi parar meu amor próprio, a minha auto-estima... Onde eles se esconderam? Como faço para tê-los de volta? Como tenho essa capacidade de me humilhar, de implorar? Em que pedaço da minha vida, adquiri isso?

Queria saber porque, por mais que eu tente, não consigo parar de acreditar que minha felicidade fugiu de mim, e eu não fiz nada para segura-la, porque deixei que escorresse entre os meus dedos feito areia fina, porque para mim parece que acabou, que cheguei ao fim da linha...

Porque detalhes tão pequenos e tão supérfluos me remetem a uma grande tristeza, porque panelas que comprei e nunca chegarei a usar, quando aparecem num comercial de TV, me remetem ao choro compulsivo...

Queria entender, como meu filho de apenas 5 anos, pode me consolar, quando deveria ser o contrario, quando eu devia estar sendo o seu amparo, quando eu deveria estar dizendo que tudo ficaria bem, porque era eu que deveria dizer a ele para esquecer, que ele irá esquecer, mas é ele que me diz isso, e me sinto cada vez mais incapaz.

Onde foi parar a fortaleza que criei em minha volta? Onde? Em que armário guardei essa fantasia?? Por estou precisando dela agora, mais do que nunca.

Onde eu compro a borracha que apaga atitudes feitas, e tenho a chance de refazer as coisas de forma certa? Porque não consigo parar de me perguntar onde foi que eu errei? Porque não consigo parar de me culpar? Porque os "ses" estão me perseguindo??

Queria saber como é que se esquece! Porque talvez esquecendo eu possa realmente seguir em frente... Porque já que não posso fazer mais nada, queria apenas esquecer...

segunda-feira, setembro 25, 2006

"A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério."
Lya Luft- Perdas e Ganhos
Aos poucos pessoas, aos poucos.... Beijos

sexta-feira, setembro 08, 2006

A dor incomoda. A quietude perturba. O recolhimento intriga e incomoda os demais: "Ele deve estar doente, deve estar mal, vai ver é depressão, quem sabe um drinquezinho, uma nova amante, um novo namorado..." Para não se inquietarem, para não terem de "parar para pensar", ou apenas porque nos amam e nosso sofrimento os perturba, a toda hora nos dão um empurrãozinho: "Reaja, vamos, saia de casa, pára de chorar, bote um vestido bonito, vamos ao cinema, vamos jantar fora".Também para isso haverá uma hora certa. O luto é necessário - ou a dor ficará soterrada debaixo de futilidade, sua raiz enterrando-se ainda mais fundo, seu fogo queimando nossas últimas reservas de vitalidade, e fechando todas as saídas. Não vou me alegrar jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha ilusão... perdi algo que dói, seja o que for. Então, por um momento, uma semana, um mês ou mais, me deixem sofrer. Permitam-me o luto no período sensato. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua.
....
Tempo de viver. Se houver um tempo de retorno, eu volto. Subirei, empurrando a alma com meu sangue por labirintos e paradoxos - até inundar novamente o coração.
Terei, quem sabe, o mesmo ardor de antigamente.
(Trechos do Livro Perdas e Ganhos - Lya Luft.)