segunda-feira, setembro 03, 2007

Drops (de novo)


- Pela 212343435986785 vez esse ano estou gripada. Nariz vermelho, gastando quilos de lenço de papel, fanha e sem nenhum saco pra nada!

- Eu procuro sarna pra me coçar. Comprei o Crash de corrida pro Bernardo. Meu dedão esquerdo teve cãibra esse fds de tanto jogar aquele troço.

- Sabe as pessoas não entendem que quando tenho eu problema minha cabeça fica centrada naquilo, e o que eu quero é resolver, minhas idéias só giram em torno de como resolver o fato. O que me tira do sério é que uma responsabilidade que é dividida por dois, deveria ser meio a meio, mas não é tudo jogado nos meus ombros. E as pessoas ainda querem saber porque fico irritada quando querem conversar pra ver se alivia a coisa toda. Saca conversar?? Eu posso conversar sozinha ou com a parede que da o mesmo efeito. De você quero que assuma os 50% que lhe cabe. Isso sim realmente me aliviaria. Depois que você fizer isso, podemos então sentar e bater papo.

- Acho que os brotos de girrasol não vão nascer, não sei, falta sol nessa cidade. Já fiz de tudo, e não abrem...

- To na metade de Cartas, do Caio, resolvi parar e começar tudo de novo, agora com um marca texto... Tanta coisa ali que merece ganhar nuances coloridas... Eu sei que pra vocês deve ser um porre, mas vai abaixo três trechos do livro...


“...Uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Porque o zen de repente escapa e se transforma em sem? Sem que se consiga controlar...”

[...]

“ Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol.”
Caio Fernando Abreu – Cartas. – A Sérguo Keuchgerian (10/08/85)

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“Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante – então você “pira”. Para não ter que lidar com o horror. ‘Porque estar vivo, verdadeiramente vivo, é horrível’ – já dizia GH de Clarice...”
Caio Fernando Abreu – Cartas. – A Maria Lídia Magliani (10/09/91)

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“Fico ouvindo as pessoas naquele rodenir de ligou?-vou-ligar-não-sei-se-ligo-se-ligar-dizque-saí etc.&etc. e acho de uma pobreza alagoana. Meu Deus, penso, tanto tanque cheio de roupa suja para ser lavada, tanto piso pra ser encerado, tanta azálea mutante para ser regada, tanta meia pra ser cerzida e fica essa vEadagem? Que perCa de tempo. To bem assim, bem indiferente. O coração, um cactus. Não me importo mais”
Caio Fernando Abreu – Cartas. – A Maria Lídia Magliani (10/06/92)

5 comentários:

Pedro droPe... disse...

Só de passagem... sempre bom está aqui.


beijo no olho,
lua, flores e sorrisos...

Sujeito Oculto disse...

Também passei umas semanas doente. Esse lance de responsabilidade dividida é foda, porque a divisão muitas vezes fica 100% pra um lado e zero pro outro.

Luara disse...

‘Porque estar vivo, verdadeiramente vivo, é horrível’

concordo ... concordo tbm com a parte que diz que quanto mais se compreende mais perto da loucura nós ficamos, as vezes eu me sinto assim.

Beijos!

Kombi Azul disse...

Acho que todo mundo esta com gripe.. deve ser a mudança de clima... ou não...

André Rafael disse...

Entre tantos blogs, caí logo aqui! (e gostei...)
Gosto também de Caio.
;)